Escola
"Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção" (Paulo Freire - "Pedagogia da Autonomia")
O presente trabalho baseou-se na experiência de estágio no Centro Integrado de Educação de Jovens Adultos (CIEJA) de Campo Limpo. Visitamos a escola em duas ocasiões - nas noites de 3 de maio e 18 de junho de 2018. Lá, falamos com a Êda Luiz, diretora do Centro, e também com alguns professores e alunos, para poder ter uma visão um pouco mais aprofundada tanto da história da escola como da experiência de ensinar e aprender nesse espaço - tido como referência na educação de jovens e adultos.
Primeiro, precisamos entender o porquê desta afirmação: o que faz do CIEJA Campo Limpo referência? O que ele tem de singular? Para responder essas primeiras perguntas, a conversa com Êda foi essencial. Ela nos contou do caminho que foi transformar uma escola "tradicional" em uma escola como encontramos hoje: sem carteiras, sem professores, sem provas, sem disciplinas, sem sinal, sem portões. Tudo começou, nos disse ela, em uma assembleia: escutar que tipo de escola os alunos queriam, e, a partir daí, construir em comunidade esse espaço.
As carteiras convencionais viraram mesas sextavadas, as disciplinas viraram áreas de conhecimento ("Linguagens e Códigos (LC), envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa e Inglês; Ciências Humanas (CH), que envolve as disciplinas de Geografia e História; Ensaios Lógicos e Artísticos (ELA), que envolve as disciplinas de Matemática e Artes e Ciências do Pensamento (CP), que envolve as disciplinas de Ciências e Filosofia" - do blog da escola), as avaliações são apresentações em grupo feitas bimestralmente, os professores chamados de tutores, trabalhando para auxiliar os alunos com caminhos nas pesquisas que eles próprios escolhem fazer.
Quanto aos horários: os alunos possuem um "passaporte", que permite que assistam aulas em qualquer horário - manhã, tarde ou noite. Assim, combate-se um dos maiores problemas na educação de jovens e adulto: a evasão.
Outra particularidade do CIEJA é a quantidade de alunos de inclusão. É a escola com maior número de alunos de inclusão de São Paulo, tendo, por exemplo, uma turma inteira de alunos com deficiência auditiva, que são alfabetizados em libras na escola.
As decisões da escola envolvem toda a comunidade escolar, dos alunos, aos funcionários, à direção. É nas assembleias que se decidem, por exemplo, quais os "grandes temas" que serão estudados em cada bimestre. Este ano os alunos estudavam o tema da saúde - todas as áreas de conhecimento (pelas quais os grupos de alunos fazem uma rotatividade mensal, divergindo da clássica "grade de aulas") devem estudar problemáticas que envolvem este tema, e a apresentação final será uma amostra desse percurso.
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