Visita


Entrada do CIEJA. Foto do blog da escola: http://blogdociejacampolimpo.blogspot.com/

Entramos no CIEJA em uma quinta-feira a noite, a entrada na escola já anunciou um clima agradável e diferente do que esperávamos: muita movimentação de alunos e o jantar sendo servido - em "pratos de verdade", característica que Êda ressaltou em sua narrativa. Fizemos um pequeno tour pela escola, visitamos algumas salas de aula (inclusive a sala dos deficientes auditivos) e, depois de conversar com a diretora e alguns professores na sala dos professores - organizada em roda - tivemos a sorte de assistir a algumas das apresentações de finalização do ciclo de aprendizagem.

Registro fotográfico da apresentação de finalização do ciclo (3 de maio de 2018)

As apresentações tratavam desde o alcoolismo como disparador da violência contra mulher (Ciências Humanas), aos efeitos da sub-exposição ao sol (Linguagens e Códigos) e até por questões éticas envolvendo uma operação nos olhos (Artes e Ciências do Pensamento). Assim, como se vê, a abordagem cotidiana do aprendizado é
Nesta apresentação também pudemos ver a leitura de partes de um "diário de campo" que os alunos produzem todos os dias, anotando o que aprenderam no dia, dificuldades, o que precisam pesquisar e qualquer outra coisa que quiserem escrever, e esse diário é lido pelo tutor que os acompanha. As partes lidas pelos alunos em geral eram falas de grande exaltação da escola, e momentos de grande emoção como um aluno de meia idade que contou: "agradeço ao CIEJA por me dar o que nunca recebi em casa: carinho e acolhimento."
Conversando em grupo, ficamos um pouco divididos quanto a esse recurso pedagógico, vendo, por um lado, uma excelente ferramenta para acompanhar o desenvolvimento do aluno e, por outro, uma espécie de instrumento de controle pessoal. Contudo, foi nesse espaço, por exemplo, que a escola conseguiu identificar e tomar providências em um caso de abuso sexual de uma aluna menor de idade.
No segundo dia que visitamos o CIEJA, em uma segunda-feira fria de junho, tivemos a oportunidade de falar com alguns alunos, entre eles, Luiza, de 44 anos. Luiza começou os estudos no CIEJA em maio deste ano, e disse que consegue conciliar bem seus horários com a escola (frequenta das 17h45 às 20h - horário que funciona bem com a rotina de diarista). Luiza sente que os alunos têm grande participação na construção da escola, e que todos têm relações próximas e familiares. O diálogo na escola é incentivado e os alunos se auxiliam no aprendizado. O que Luiza nos relatou ouvimos bem mais de uma vez: a escola é uma grande família.

Os alunos plantam, reciclam e doam o que podem para ajudar no funcionamento da escola - por exemplo, Luiza doou para escola alguns livros que recebeu de presente. Também fez coro com outros alunos que relataram uma mesma experiência: os professores não desistem dos alunos por mais que apresentem dificuldades.

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